O mundo é Plano

No livro “O mundo é plano”, Thomas Friedman descreve como o processo de globalização se desenvolveu ao longo da história e quais as características dessa evolução. Nele o autor conclui que o mundo está se tornando cada vez mais plano – uma alusão à redução das distâncias ocasionada pelo aumento da velocidade das comunicações – devido aos avanços tecnológicos advindos da ampliação da globalização atual que tem reduzido diferenças e distâncias entre povos. Friedman afirma que houve um investimento maciço global em tecnologia a partir dos anos 90, quando se ampliaram as instalações de conectividade em banda larga combinado com uma contínua redução nos preços dos computadores.
Esses elementos atuaram como fatores de convergência, que aproximaram povos distantes e aceleraram o efeito de planificação do mundo. A idéia de um mundo plano contém o aspecto positivo de maior intercâmbio de conhecimento, mas possui o lado negativo ao favorecer também a expansão do terrorismo. Na visão de Friedman, ele se aproveitou desse processo e, explorando antigas tensões existentes entre alguns povos, espalhou ódio e terror.
Friedman divide o processo de globalização em três etapas: a primeira corresponde ao período dos descobrimentos iniciados em 1492 e vai até 1800, com o predomínio do uso da força pelos países; a segunda etapa compreende o período de 1800 a 2000 (sendo interrompido pela Grande Depressão de 1929 e pelas duas guerras mundiais), caracterizando-se pela expansão das multinacionais; a terceira se iniciou em 2000 e prossegue na era atual. A etapa atual do processo de globalização se caracteriza pela transferência de atividades consideradas inferiores na cadeia de valor para outros países, como por exemplo a Índia, a China e o México.
Thomas Friedman identifica 10 forças no impulso da transformação mundial na terceira etapa da globalização: a queda do muro de Berlim em 9/11/1989; a entrada das ações da empresa Netscape no pregão da bolsa de valores de Nova York em 9/8/1995 (marco da importância econômica da internet); o desenvolvimento de softwares de fluxo de trabalho interoperáveis, permitindo o intercâmbio de informações entre sistemas e a integração do trabalho nas organizações; o uso de programas de código aberto (softwares compartilhados que não possuem exclusividade no direito de uso); a terceirização de serviços usando a internet; a ampliação das atividades de offshoring; o aprimoramento e a consistência das cadeias de fornecimento;a internalização ou insourcing (uma nova forma de colaboração e criação horizontal de valor que nivela pequenas empresas); a ampliação da oferta de informações pelas ferramentas de localização na internet como o “Google”; as novas tecnologias wireless e o Voice Over Internet Protocol (VOIP) que amplificam e potencializam todas as demais forças transformadoras, pela facilidade que introduzem nas comunicações que empregam a internet.

Ezequiel H. Nascimento